Vamos falar em Regras Qualis Livros?

Para muitos pesquisadores o sistema Qualis Livros é uma incógnita e, até mesmo, difícil de entender. Vamos colocar os pingos nos “is” e também explicar onde entra a Pimenta Cultural nesta história.


A vida acadêmica traz muitas regras, siglas e, por incrível que pareça, metas a alcançar. É meta com relação ao rendimento acadêmico, ao prazo para término da pesquisa, a indexação dos trabalhos publicados e também a meta de produtividade científica. Os pesquisadores estão sujeitos, pelo próprio sistema de avaliação quantitativa da produção, à publicação de uma série de artigos, capítulos de livros e livros para alcançar um determinado número e não necessariamente de um resultado substancial específico da sua pesquisa. É como se a pesquisa científica estivesse em uma linha de produção fabril onde você tem dois ou mais artigos para publicar em um espaço de tempo e em editoras universitárias ou revistas científicas que, por sua vez, também devem enquadrar-se em regras específicas deste ecossistema.

É aqui que entra a Pimenta Cultural, também incorporada a este mundo de metas e regras experienciadas não somente pelos pesquisadores que publicam conosco, mas por nossos editores executivos desde a fundação da editora, em 2012.

Diante do grande volume de publicações de livros e de capítulos de livros, a partir do ano 2000, a Capes observou que a disseminação deste conhecimento científico seria justificada com a criação da avaliação Qualis Livros. Esta passou a qualificar e a pontuar a produção bibliográfica dos Programas de Pós-Graduação. Vale ressaltar que a Qualis Livros avalia diversas produções de docentes e discentes, mas vamos nos ater aqui a discussão sobre os critérios em relação a livros e a capítulos de livros.



COMO FICAM AS PONTUAÇÕES DAS OBRAS PUBLICADAS PELA PIMENTA CULTURAL?

Nestas classificações são utilizados vários critérios, porém o que se percebe é que cada área do conhecimento se vale de um modelo avaliativo próprio, atribuindo pesos diferentes para cada indicador a ser cumprido. Desta forma, um livro avaliado por uma área do conhecimento não pode ser comparado ao de outra área uma vez que cabe a cada uma delas distribuir a pontuação em níveis e entre os indicadores de qualidade em uma escala de 0 a 100 pontos.

O que a Capes determina é que a avaliação dos livros seja singular, “per si”, mesmo em obras coletivas. Assim, o estrato da obra estende-se a todos os capítulos nela publicados, seguindo a mesma lógica do Qualis Periódicos.

Quase que semanalmente recebemos mensagens de pesquisadores de diversas universidades do país solicitando saber o Qualis Livros da editora. Inclusive, nos informando que determinados editais exigem que as editoras participantes de licitações tenham, obrigatoriamente, uma Qualis intermediária. Pois bem!

Realizamos há anos várias tentativas diretas e indiretas de acesso aos relatórios da Capes e com fontes seguras. O fato é que estes relatórios não são divulgados na Plataforma Sucupira. Esta avaliação serve, conforme descrito na Proposta de Classificação de Livros do GT “Qualis Livros” da Capes, para ajudar a classificar e a pontuar os Programas de Pós-Graduação e não a obra em si ou a editora que o publicou.

Resumindo: a Pimenta Cultural, ou qualquer outra editora, não recebe uma classificação Qualis Livros, como o que acontece com as revistas científicas. O Qualis Livros é única e exclusivamente direcionado ao livro, é uma avaliação individual da obra em si. Também não podemos afirmar que as obras publicadas terão determinados estratos. Quem faz as avaliações são as Comissões designadas pelas Capes e não pelas editoras. O que podemos fazer são apenas simulações diante de documentos disponibilizados pela Capes mediante o cumprimento dos Quesitos e seus indicadores de avaliação da qualidade de cada obra.

Todavia, quando temos acesso a um relatório Capes de alguma Área do Conhecimento, podemos afirmar e divulgar a pontuação recebida naquela obra específica. Tivemos acesso a um relatório da Área de Ciências Ambientais no site da Capes (Quadriênio 2013-2016) em que dois textos publicados pela Pimenta Cultural foram avaliados como L1 (temáticas de educação à distância e formação de professores; e novas tecnologias para o Ensino Superior).

O que a Pimenta Cultural faz para que a obra seja bem avaliada e tenha a possibilidade de receber o maior estrato possível é seguir rigorosamente cada indicador, auxiliando os autores, as autoras e os Programas de Pós-Graduação na preparação dos seus textos e documentos.



E COMO FICAM OS CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO?

Alguns dos critérios de avaliação são atribuições da Pimenta Cultural, ou seja, estão diretamente ligados às nossas práticas como editora acadêmica. Outros critérios são de responsabilidade dos autores e das autoras quando reportam as informações da publicação da obra aos Programas de Pós-Graduação. Por fim, a responsabilidade dos Programas de Pós-graduação é submeter de forma correta e completa essas informações na Plataforma Sucupira. Perceba que se trata de uma cadeia produtiva, envolvendo três agentes específicos e em momentos distintos e não um responsável direto pela pontuação alcançada.

Por fim, há ainda a decisão da Comissão de cada área do conhecimento sobre a realização (ou não) da avaliação da obra completa, o que não depende mais da Pimenta Cultural, dos autores e das autoras ou mesmo dos Programas de Pós-graduação.

Quanto a leitura completa da obra pela Comissão Qualis Livros de cada Área, a Proposta de Classificação de Livros propõe:

Fica a critério de cada Área, considerando o volume total da produção de livros a ser avaliada, a utilização apenas dos indicadores do Quesito I e/ou o uso, também, dos indicadores do Quesito II e/ou do Quesito III.

Por exemplo, para as Áreas em que o volume de itens a avaliar for considerado elevado, a classificação da totalidade das obras poderia ser feita com base apenas nos indicadores formais da qualidade do livro, constantes no Quesito I, que forem selecionados por cada Área. Os indicadores do Quesito II e III, de natureza mais qualitativa da obra e que requerem o exame de cada produto de per si poderiam ser utilizados apenas na avaliação das produções indicadas pelos programas como as mais relevantes do período. (CAPES, 2019, p. 15-16)

Ou seja, o sistema de avaliação das obras não é igual a todas as Áreas do Conhecimento, sendo dado liberdade a cada uma delas para definir, mediante decisões próprias, os procedimentos a serem adotados.



AGORA VAMOS AOS INDICADORES DE CADA QUESITO

Recapitulando: o Quadriênio Capes Qualis Livros fecha em dezembro deste ano (2020). A próxima avaliação será só em 2025 referente ao quadriênio de 2021-2024.

Quesito I: indicadores formais da qualidade do livro (CAPES, 2019, p. 8-9).

Aderência à área de avaliação e perfil institucional estratégico do PPG:

· Idioma (nacional, estrangeiro, multilíngue)

· Tipo de Editora

· Financiamento

· Conselho Editorial

· Informações sobre os autores

· Parecer e revisão por pares

· Índice remissivo

· Vínculo com a linha de pesquisa

Pontos adicionais:

· Premiação

· Indicação como obra de referência por Sociedades Científicas e/ou Profissionais

· Tradução da obra para outros idiomas

Quesito II: conjunto de indicadores indiretos de qualidade do livro (CAPES, 2019, p. 9).

· Natureza do Texto (valorização de produção científica)

· Leitor Preferencial (nível de complexidade do tratamento dos temas)

· Origem da obra (indicador da rede articulada de produção de conhecimento)

Quesito III: exige leitura completa da obra no processo de avaliação (CAPES, 2019, p. 9).

· Inovação

· Relevância

· Impacto


Diante destes indicadores, para facilitar a leitura, dividimos cada Quesito em Responsabilidades, sendo: da editora, do(a) autor(a) e do Programa de Pós-graduação:

· Dos Programas de Pós-Graduação no momento em que reportam as informações na Plataforma Sucupira: idioma (nacional, estrangeiro, multilíngue), tipo de editora, financiamento, conselho editorial, informações sobre os autores, parecer e revisão por pares, índice remissivo e vínculo com a linha de pesquisa, premiação, indicação como obra de referência por sociedades científicas e/ou profissionais, tradução da obra para outros idiomas.

· Do(a) autor(a): financiamento, vínculo com a linha de pesquisa, premiação, indicação como obra de referência por Sociedades Científicas e/ou Profissionais, tradução da obra para outros idiomas

· Da Pimenta Cultural no cuidado com o cumprimento dos critérios: idioma, tipo de editora, conselho editorial, informações sobre os autores, parecer e revisão por pares, índice remissivo.

Alguns dos Quesitos avaliados são de caráter subjetivo e realizados exclusivamente pela Comissão de cada Área Qualis Livros, os quais fogem de qualquer tipo de controle ou cumprimento de regras pelos(as) autores(as), pela Pimenta Cultural ou pelos Programas de Pós-graduação. São eles: natureza do texto, leitor preferencial, origem da obra, inovação, relevância e impacto.

Para informações mais aprofundadas sobre cada um deles, acesse o nosso site e confira.


Finalizo este tópico explicando, porém, que as Comissões de cada área de avaliação Qualis Livros têm a liberdade de elaborar a sua própria ficha, dentre as elencadas pela Capes, além de incluir ou excluir as categorias que achar pertinentes e atribuir a cada critério a pontuação que lhes convier.


FECHAMENTO DO QUADRIÊNIO 2017-2020


A Capes coleta as informações dos livros publicados para análise a cada quatro anos. A última avaliação foi de 2013 a 2016, no qual livros completos e capítulos de livros receberam seus devidos estratos.


Agora a Capes fecha novo ciclo de avaliações para as publicações realizadas entre 2017 e 2020, ou seja, livros publicados dentro deste período serão avaliados em 2021 mediante reporte dos Programas de Pós-Graduação.


Com isso, a próxima avaliação Quadrienal Qualis Livros da Capes será apenas em 2025. Então a hora de publicar é agora e ainda dá tempo!


Referência:

CAPES. Proposta de Classificação de Livros. Grupo de Trabalho “Qualis Livros”. Ministério da Educação. Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. Brasília, 2019.

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